Sobre o autismo
Meu filho nasceu autista, e agora?
Você sabia que 1 em cada 36 crianças no mundo nasce dentro do espectro autista?
Todo pai e mãe de um filho diagnosticado com autismo pode afirmar quão impactante foi o sentimento ao receber o diagnóstico. Esse momento costuma ser característico por mesclar emoções com medos e inseguranças; e, a princípio, são sentimentos normais quando falamos de algo desconhecido.
Quando uma criança nasce, o que as famílias desejam é criar o filho em um ambiente seguro, para que tenha a liberdade de explorar o próprio universo particular, e crescer em sua melhor versão. Mas quando a criança é diagnosticada com autismo, ela precisa de mãos seguras que o auxiliem a cada passo desse processo de descoberta; apesar de parecer um processo desafiador, ele não é impossível quando existe uma rede de apoio.
Infelizmente, na sociedade pouco se fala sobre o TEA, mas sabemos que muitas pessoas dentro do espectro podem brincar, estudar, trabalhar, e construir relacionamentos, assim como qualquer outra. A única diferença é que a pessoa diagnosticada com autismo se desenvolve de forma específica, muitas vezes com uma preocupação a mais em relação ao ambiente e estímulos.
Separamos algumas dicas essenciais, pensando nas famílias que buscam conforto e amparo após receberem o diagnóstico.
Busque auxílio de profissionais especializados
Quando receber o diagnóstico de que seu filho tem autismo, inicie os acompanhamentos terapêuticos o quanto antes. As intervenções ocorrem com uma equipe multidisciplinar composta normalmente por profissionais da psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagogia e neuropediatra.
Escolha e conheça os profissionais que farão parte dos atendimentos. Tire suas dúvidas e lembre-se que você é quem melhor conhece seu filho, por isso, deve se sentir à vontade com a equipe que cuidará dele.
Cada criança e família são únicas, por isso, as atividades para a evolução de seu filho devem ser escolhidas e direcionadas especialmente para vocês. A criança pode aprender, e um tratamento adequado certamente será capaz de proporcionar a você e sua família uma melhor qualidade de vida.
Incentive seu filho!
Ensine e auxilie nas tarefas do cotidiano e nos cuidados consigo mesmo. Assim como qualquer criança, esperamos que ele aprenda a se vestir, se alimentar, organizar o material escolar, brinquedos, etc.
Uma dica bacana para o dia a dia é incluir a criança nas atividades da casa, assim ela se sente incluída na rotina. Elogie sempre que ele conseguir realizar qualquer ação sem auxílio, isso o estimula. Entretanto, tenha paciência, pois tudo é um processo de aprendizagem e descoberta para autonomia. É esperado que a evolução ocorra de forma gradual e contínua.
É verdade que uma criança diagnosticada com um transtorno pode precisar de adaptações em casa e na rotina. Mas, a longo prazo, acompanhar a evolução da criança com autismo e, principalmente, sua felicidade pode ser muito rica e prazerosa!
Não esconda seu filho do mundo
É importante buscar a integração de seu filho e sua família à sociedade. É possível muitas vezes que parentes ou amigos tenham resistência, mas a palavra-chave para esse momento é persistência. O mesmo se aplica para a integração da criança nas escolas.
Embora a pessoa diagnosticada com autismo possua o direito de frequentar a escola conforme a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), é comum que famílias encontrem algumas dificuldades. Pesquise a melhor opção para seu filho e trabalhe em conjunto com os professores para garantir o cuidado que ele merece.
A Lei Romeo Mion cria a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA), que garante a todos aqueles com o diagnóstico de autismo um documento que possa ser apresentado para informar a condição do indivíduo.
Além dessa lei, existem benefícios que auxiliam, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a redução na carga horária de trabalho e outros que reduzem as dificuldades encontradas no cotidiano.
E lembre-se, você não está só
É natural do ser humano procurar se proteger quando percebe uma situação ameaçadora, principalmente quando o cenário é carregado de incertezas. Logo, é normal sentir um baque logo após seu filho ser diagnosticado com autismo.
Muitas vezes pode ser desanimador buscar recomeçar e traçar novos planos, baseando justamente nos desafios que essa criança no espectro autista poderá enfrentar.
Não se culpe, não se julgue e busque sempre uma rede de apoio. Existem muitos grupos de pais de crianças com TEA. Procure auxílio e converse — a troca de experiência é algo enriquecedor e acalentador. Lembre-se também que é importante ter seu espaço de descanso pessoal e momentos para você e seu parceiro(a). Cuidar da saúde mental de todos que estão ao redor da criança com o diagnóstico é essencial — o bem-estar dos pais também importa.